Seu filho começa a tropeçar na fala e você fica assustada. Na décima vez em que vê a dificuldade em completar uma frase, quer procurar um médico porque tem certeza de que ele é gago. Relaxe. Nessa fase, algumas crianças têm mesmo uma espécie de gagueira temporária. Isso porque têm um vocabulário maior e querem juntar as palavras para formar frases, mas acabam se perdendo no meio da sentença. É por isso que, em geral, repetem várias vezes as primeiras sílabas das palavras. Tome cuidado para não apressá-la e não comente o problema na sua frente. Lembre-se que o raciocínio é mais rápido do que a fala (até nós, adultos, nos atrapalhamos muitas vezes) e, se você fizer críticas a seu filho, ele pode ficar ainda mais ansioso e, conseqüentemente, mais gago. Muitas mães começam a tirar a fralda noturna nessa época. Na verdade, é a própria criança quem dá o sinal de que está preparada para dormir sem fralda. O momento certo, no entanto, demora um pouquinho: só tire a fralda depois que seu filho amanhecer com a fralda seca durante um mês inteirinho, sem nenhuma ocorrência. Converse com ele, explicando que já está grande e, por isso, não precisa mais da fralda, mas, se ele sentir vontade de fazer xixi durante a noite, deve levantar da cama e avisá-la. Você vai levantar e ajudá-lo até que ele tenha segurança para fazer tudo sozinho. Não tente antecipar o momento e não brigue se houver escapes de xixi na cama. Simplesmente troque o lençol, o pijama, limpe o colchão e peça que ele a avise da próxima vez. Tenha paciência. E um aviso: é normal que uma criança use fralda noturna até quatro ou quatro anos e meio.
Você não o vê, mas seu filho conversa com ele o dia todo. É o “amigo imaginário”, alguém com quem ele briga, dá bronca, fica de mal, faz as pazes, consola, dá ordens. Alguns têm nome, outros são chamados de várias maneiras. É que o mundo de seu filho agora inclui o “faz-de-conta”, uma das etapas mais importantes e características da infância. A fantasia ajuda a criança a compreender a realidade. Fingindo que é outra pessoa, ela consegue se colocar no papel do outro, sentir outras emoções, viver outros sentimentos. É assim que vai diferenciando o que é legal fazer – e, principalmente, o que não é. O amigo imaginário é alguém com quem seu filho pode desabafar e ensinar. Quando ele fala para o amigo “você não pode comer brigadeiro agora, antes da festa, senão vai acabar”, está se colocando no papel de um adulto e assim consegue perceber as razões daquele comentário. Pode parecer estranho ver seu filho falando sozinho, mas, acredite, o amigo imaginário é um poderoso aliado para o desenvolvimento dele. Você também deve participar da brincadeira se for chamada. “Mamãe, o meu amigo não quer tomar banho!”, ele diz, por exemplo. E você: “Explique que tomar banho é importante para a saúde, que quem fica sujo também fica doente”. Como seu filho já tem outros amigos, os “reais”, este também é o momento em que você pode convidá-los para ir à sua casa. Seu filho vai adorar mostrar a casa, os brinquedos e a família dele para um amigo. Normalmente, nessa faixa etária, as crianças costumam fazer esse passeio acompanhadas de um adulto para não estranharem. Em média, as crianças crescem 0,5 centímetros e engordam de 100 a 150 gramas por mês.
Seu filho agora já consegue comer completamente sozinho, embora não use a faca. É importante, portanto, que ele faça as refeições junto com a família, que será seu exemplo de como se comportar à mesa e de hábitos alimentares saudáveis. Vale tomar muito cuidado com as influências externas (especialmente as propagandas). As crianças descobrem os fast-foods e querem hambúrgueres e frango processado e frito todos os dias. Nada que é demais faz bem. Fique atenta se ele pede para ir a um restaurante por causa da comida ou do brinde. Se a razão for o brinde, mostre a falta de lógica da situação. Limite ao máximo as refeições em fast-foods, embora, claro, elas não façam mal algum de vez em quando, Mas preste atenção também no seu comportamento: se você come pizza todo fim de semana, não dá para exigir que seu filho prefira um prato de espinafre com bife, arroz e feijão. E não deixe seu filho fazer as refeições em frente à televisão. Como ele não vai prestar atenção no que está comendo, mas sim no programa da TV, ele pode comer mais (ou menos) do que precisaria, por impulso ou sem perceber. Além de não valorizar o sabor dos alimentos e o prazer de comer.
Nesta fase, a do faz-de-conta, as crianças adoram assistir a filmes. De preferência o mesmo filme. Dezenas, centenas de vezes. Não, seu filho não é obsessivo, acredite. Ver o mesmo DVD várias vezes faz com que a criança aprenda cada detalhe do enredo e fique mais tranqüila. Como ela já sabe o final da história, isso a deixa mais segura. O melhor a fazer é comprar o filme preferido (ou você vai gastar muito mais na locadora) e se preparar para cantarolar no meio do trabalho a trilha sonora da Branca de Neve. Os programas infantis da TV também fazem sucesso. Mas você deve controlar os excessos. Como as crianças ficam quietas na frente da televisão, muitas vezes os pais se esquecem de proporcionar outras brincadeiras aos filhos. A televisão não é uma vilã só por existir, ao contrário, pode ser bastante estimulante, basta você selecionar os programas mais educativos para o seu filho. Mas tome cuidado para não encarar a TV como uma babá. Criança precisa correr, brincar, jogar, ter tempo, inclusive para ficar em silêncio. E cabe a você estabelecer os limites e proporcionar outros momentos divertidos na rotina do seu filho.
Seu filho é muito atirado? Daqueles que dá a mão para qualquer um na rua, conversa com todo mundo, conta tudo o que sabe? Isso pode ser muito bom. Não há quem não goste de uma criança simpática. Mas você também sabe que esse traço de personalidade expõe seu filho a mais riscos, certo? Não é bem assim. Precisamos deixar claro que a criança, qualquer uma delas, deve ter sempre a supervisão de um adulto por perto. Essa é uma regra que não permite exceções. Feito isso, que é estar sempre de olho no seu filho, você deve apenas aproveitar. Sim, porque certamente você vai fazer novas amizades ao lado dele. É necessário também conversar com ele sobre os riscos que corre: não dá para subir numa árvore sozinho, sem ninguém por perto, precisa dar a mão quando for atravessar a rua, não pode mergulhar no mar sozinho e por aí vai.