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Guia do bebê de 24 a 30 meses

Saúde

Se não houver uma grande alteração de rotina na vida da criança (como, por exemplo, entrar na escola), essa é geralmente uma fase de calmaria na área da saúde. Algumas mães, no entanto, ficam preocupadas quando há uma repetição de resfriados. Uma possibilidade é que se trate de uma criança alérgica. Normalmente isso ocorre quando há predisposição genética (alguém na família tem o problema). A pele é o primeiro lugar que apresenta os sintomas de alergia. Depois, podem aparecer chiados no peito, rinites e conjuntivites alérgicas. A alergia é uma reação exagerada do corpo a algumas substâncias. Ácaros, fungos e pêlos de animais podem resultar em espirros, tosses, lacrimejamento, coceira nos olhos, nariz escorrendo. É uma doença comum, que deve ser controlada e tratada, mas não tem cura. O pediatra identifica os órgãos afetados pelos sintomas e tenta localizar os agentes que desencadeiam a alergia. Ele pode pedir testes alérgicos na pele ou exames de sangue, caso necessário. O tratamento consiste em afastar as substâncias que provocam a alergia (tirar tapetes do quarto, no caso de alergias provocadas por ácaros, por exemplo), usar medicamentos e/ ou vacinas (essas só existem para alguns casos específicos e só funcionam a longo prazo). Esta também é a fase em que, geralmente, inicia-se o processo de retirada das fraldas diurnas, embora, em algumas crianças isso possa começar um pouquinho antes. A criança já consegue controlar os esfíncteres, músculos que comandam a saída de xixi e cocô. Como tirar a fralda? Normalmente a criança mostra que está preparada avisando que fez xixi. Funciona assim: depois que seu filho avisar várias vezes, e com o consentimento do pediatra, você não põe mais a fralda nele. Um adulto deve levá-lo ao banheiro de uma em uma hora - mesmo que a criança não peça - e ficar por perto (vale, inclusive, contar uma historinha, se for o caso). Importante: não brigue com a criança se o xixi escapar, apenas peça que ela avise da próxima vez. Você pode usar um redutor de tampa para o vaso sanitário da casa. E deve continuar colocando a fralda em todos os momentos de sono do seu filho (inclusive à tarde), mesmo depois que ele estiver bem adaptado sem fraldas durante o dia.

Crescimento e Desenvolvimento

Atenção: cada bebê tem um ritmo de desenvolvimento e de crescimento. É normal que haja variações. Se você tiver alguma dúvida, consulte o pediatra de seu filho.

Mais independente, a criança dessa idade quer comer e se vestir sozinha. Cabe aos pais permitir e ajudar, indicando, por exemplo, o lado certo da roupa. Ela também já deu um salto enorme de desenvolvimento: muitas conseguem pular com os dois pés, desenhar círculos no papel, falar frases inteiras (ainda curtas, como "quero água"). Curiosamente, algumas pedem mais colo nessa época. Talvez porque não tenham mais tanta curiosidade pelo andar e correr, que agora são naturais e fiquem mesmo com mais preguiça de andar. Colo é bom e todo mundo gosta, mas cuidado para não exagerar. Como sempre, use o bom senso. Começa também a fase do "por quê?". São deliciosos e intermináveis os porquês de uma criança, por isso, prepare-se. "Está na hora de ir para casa". "Por quê?". "Porque já é de noite". "Por quê?". "Porque o dia acabou". "Por quê?". "Porque o sol foi para o outro lado do mundo". "Por quê?". "Porque a gente precisa dormir". "Por quê?". "Porque quando a gente dorme, descansa e cresce"... E por aí vai. Quanto mais interesse e paciência você tiver para responder as dúvidas do seu filho, mais vocês vão aprender um com o outro. Se você não souber alguma coisa, diga que não sabe, mas que vai procurar descobrir. É assim, vendo o respeito e o interesse dos pais pelo conhecimento, que as crianças se mantêm curiosas - uma qualidade que, vamos admitir, muitos acabam perdendo quando crescem. É nessa fase, também, que muitos pais optam por ter o segundo filho. Ter um irmão é sempre bom para o primogênito, embora a gravidez e a chegada de um bebê assustem e provoquem emoções contraditórias. É importante fazer com que o primeiro filho participe dos preparativos para a chegada do irmão, mas cuidado para não criar expectativa demais (uma gravidez é um tempo interminável para uma criança dessa idade). Sempre que puder, reforce as qualidades do seu filho e fale sobre o importante papel de irmão mais velho que ele vai exercer. E quando chegar com o bebê da maternidade, tente arrumar intervalos em que você possa ficar sozinha com o mais velho - além, claro, de dividir as tarefas para não deixar de atendê-lo completamente. Não é preciso dizer nada de especial, apenas mostrar que, mesmo com um irmão, ele também vai ter um tempo seu só para ele. Nessa fase as crianças crescem, em média, 0,5 centímetro e engordam de 100 a 150 gramas por mês.

Alimentação

Não estranhe se seu filho comer menos a partir de agora. É natural que isso aconteça porque o crescimento se torna mais lento e o organismo precisa de menos calorias. Pode ser também que seu filho só queira comer macarrão. E que, um belo dia, diga que não gosta mais de macarrão de jeito nenhum. Sim, as crianças também têm preferências alimentares e, nessa fase, o apetite pode ficar "dirigido" por um tempo. O que fazer? Claro, não se pode fazer macarrão todos os dias, mas você pode, discretamente, aumentar o número de vezes em que faz o prato na rotina da casa. Também deve procurar novas receitas com os ingredientes que sabe que ele gosta e incluir outros que são importantes, mas dos quais ele não gosta tanto assim: macarrão com brócolis, por exemplo. Tente não ficar ansiosa demais com a alimentação de seu filho. O importante, não custa lembrar, é que as curvas de crescimento de peso e estatura estejam ascendentes. Dê uma atenção especial ao lanche, normalmente é a refeição que as crianças mais gostam, embora seja complementar. No meio da manhã, entre o café e o almoço, você pode oferecer um suco natural ou uma vitamina de frutas, por exemplo. À tarde, o lanche deve ter carboidrato (pão, cereal, biscoito), proteína (leite, iogurte, queijo) e vitamina (frutas ou suco).

Estímulos

Aproveite a fase do "por quê?" para fazer programas culturais com seu filho. Ele já pode ir ao teatro, por exemplo. Uma boa dica é começar com uma peça da qual ele já conhece a história (Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos, Branca de Neve e os Sete Anões, por exemplo). Ele vai ficar admirado quando puder se encontrar com os porquinhos que conheceu no livro, você vai ver. Você também pode levá-lo ao cinema, embora deva estar preparada para deixar a sessão no meio, caso ele fique cansado ou distraído demais. Exposições de arte, especialmente as que são interativas (de dinossauros, por exemplo) também fazem sucesso. É importante despertar desde cedo a admiração pela arte, qualquer uma delas. Aos poucos a criança vai aprimorando o senso estético, descobrindo as proporções dos objetos, o uso das cores, o jeito de desenhar de cada um (incluindo o próprio). Claro, ainda é muito cedo para que seu filho fique comportadíssimo num museu observando quadros de pintores famosos e fazendo comentários inteligentes. Mas você não deve privá-lo dessa possibilidade, levando em conta que vai ter que fazer algumas concessões no passeio. Mostre os quadros e invente brincadeiras. Peça, por exemplo, que ele aponte um detalhe do quadro que está na sua frente. Quando ele ficar maior, você pode levar papel e lápis e pedir que ele faça o seu próprio desenho, sentado ali mesmo no chão do museu, inspirado nos quadros que vê.

Proteção

Se antes você tinha alguns medos em relação a seu filho (ele vai cair, ele vai derrubar alguma coisa, ele vai se machucar), agora quem tem medo é ele. Nessa fase a criança não consegue diferenciar o sonho da realidade e isso pode assustá-la. Tudo o que ela vive pode virar um pesadelo à noite. Quando seu filho acorda na madrugada assustado, você deve acalmá-lo. Explique que ele está com medo porque sonhou, mas que isso não acontece na vida real. Espere que se tranqüilize, faça companhia. Mas não o leve para dormir na sua cama, um hábito ruim para toda a família. Os pesadelos somem como aparecem, sem muita explicação. Quando a criança consegue contar o que sonhou, fica mais fácil entender que aquilo não é real e superar essa fase. Algumas crianças também têm outros medos: medo de trovão, de cachorro, de fechar a porta, etc... Explique por que o medo não tem fundamento, mas não dê muita importância a ele. Se o medo é de trovão, conte que ele é um barulho forte, mas que passa logo. Mostre o raio e avise que logo depois da claridade vem o barulho e que tudo vai ficar calmo depois que a chuva passar. Há vários bons livros infantis que ajudam a superar alguns desses pequenos "probleminhas" da infância, além dos filmes. Eles ajudam porque mostram à criança que ela não é a única a se sentir daquela maneira e ainda apontam soluções. Claro, nada substitui a palavra dos pais, mas eles podem ser bons aliados na educação de seu filho, acredite.