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Guia do bebê de 18 a 24 meses

Saúde

Nessa fase dos bebês há um repeteco dos problemas de saúde que costumam ocorrer: resfriados, viroses, uma ou outra infecção bacteriana, os tombos. Pode-se dizer que há um aumento das doenças em geral, isso porque, mais uma vez, seu filho brinca mais com outras crianças, freqüenta outros lugares, inclusive os locais mais fechados, como bufês e shoppings. Pode ser que a criança tenha uma seqüência de gripes. O importante, nesse caso, é não descuidar. Você deve, sim, procurar o pediatra em cada novo episódio, mesmo que até já saiba o que fazer. E, se o bebê melhorou rapidamente depois de tomar o remédio indicado, continue com a medicação até cumprir o prazo estipulado pelo médico. Isso porque, como estão mais experientes, muitas mães relaxam um pouquinho nessa fase. Resfriados mal curados podem evoluir para doenças mais sérias, como otites, sinusites e pneumonias, por exemplo. Lavar o nariz com soro fisiológico é uma medida preventiva que deve ser feita todos os dias, sem contra-indicação. Muitas mães preferem levar o filho ao pronto-socorro em vez de procurar o pediatra, mas isso não é o correto. As crianças só devem ser levadas ao hospital em casos de emergência ou quando estão passando muito mal e a mãe não consegue falar com o pediatra. Por quê? Embora seja prático, já que está sempre aberto, o PS é um local que concentra vírus, bactérias, etc. Se você leva o seu filho ao pronto-socorro por conta de uma gripe ou uma febre recente, vai expô-lo ao risco de novas contaminações. Além disso, o médico do PS é um plantonista, que não conhece o histórico de saúde de seu filho. Nada melhor do que o médico da família, acredite.

Crescimento e Desenvolvimento

Atenção: cada bebê tem um ritmo de desenvolvimento e de crescimento. É normal que haja variações. Se você tiver alguma dúvida, consulte o pediatra de seu filho.

Mamãe, prepare-se! Você vai conhecer a fase da birra, da paciência zero, do "não!". Se fizermos uma contagem, é provável que a palavra mais usada na sua casa seja "não". E tanto pelos pais quanto pelo filho. A criança repete a palavra que ouve, o "não", para se identificar com os adultos. Mas também usa o choro para testar os pais, quer saber até aonde pode ir, qual é o tamanho da sua força. Ela ainda é imediatista e não quer ser contrariada, então se joga no chão, faz escândalo, chora na frente de todo mundo. Está na hora de impor limites. Como? Falando firme, mas sem gritar, repetindo mil vezes que ela não pode fazer o que está fazendo, que não se ganha as coisas com o choro e por aí vai. Muitas vezes é preciso pegar a criança no colo e mudar de ambiente e de assunto, até que ela se acalme. É difícil, mas você não deve demonstrar que está abalada com o escândalo público. Lembre-se de que você é adulta e cabe a você contornar a situação. Não grite com a criança. Ela vai perceber que conseguiu mexer com você e vai usar mais vezes esse artifício. Bater também está fora de cogitação. Além de ser uma violência do mais forte contra o mais fraco, a palmada não ensina, reprime. Isso não significa que você vai deixar que ela faça o que quiser. Com palavras e atitudes firmes, paciência e muita repetição, aos poucos ela vai entender o que pode e o que não pode. Para isso, você deve ser coerente. Não fique mudando de opinião a toda hora: o que pode, pode; o que não pode, não pode. Se ela perceber que ao chorar, ganha o que quer, você não vai conseguir impor limites. Nesse período, as crianças crescem em torno de 0,5 centímetro e costumam engordar entre 100 e 150 gramas, todos os meses.

Alimentação

As crianças dessa faixa etária não querem mais comer tanto quanto antes. O desinteresse pela comida é normal, acredite. Para elas, não faz o menor sentido parar a brincadeira para sentar à mesa e enfrentar um prato de comida. Querem mais é correr pela casa. Os pais não devem forçar o filho a comer, mas vale apresentar novos alimentos e inventar receitas diferentes para atrair o seu apetite. É hora de incentivá-lo a se alimentar sozinho. Como fazer isso? Ele já é capaz de segurar a colher. Permita que ele tente pegar os alimentos no prato - se for preciso, empurre a comida para a colher dele com um garfo. Algumas vezes a criança fica irritada com a ajuda e pede para fazer tudo sozinha. Melhor deixar. Esse ainda é um treino e, como toda experimentação, é provável que o alimento caia da colher e sobre bagunça para todo lado. Mas isso vai diminuir aos poucos. É importante que ela participe da refeição com os adultos e outras crianças da casa. Você também já pode ensiná-la a ter bons modos à mesa, mas sem cobranças. Explique, por exemplo, que é mais educado comer de boca fechada, que não se deve pegar a comida com as mãos, que não se fala de boca cheia e por aí vai. É importante que você entenda que as crianças não têm qualquer preconceito alimentar, mas que elas vão imitar os adultos. Portanto, se na sua casa alguém faz cara feia quando o prato do almoço é fígado acebolado, é provável que seu filho também faça. Então, você não vai poder reclamar depois.

Estímulos

Brinquedo bom é aquele que estimula a criatividade, que faz a criança pensar, imaginar, criar - e não aquele em que o papel da criança é apenas constatar o que acontece. Vale investir em brinquedos educativos. Blocos de madeira para montar prédios e cidades, jogos de encaixe, fantoches de historinhas clássicas infantis, caminhões de puxar, tudo isso vai inspirar e provocar a criatividade do seu filho. E, lembre-se, estimular não é simplesmente comprar os brinquedos mais caros da loja, longe disso, mas ter tempo para brincar com a criança e, principalmente, que ela tenha espaço para imaginar. Por isso, qualquer coisa (que não seja perigosa, claro) pode encantar a criança dessa fase: uma colher de pau e um recipiente de plástico vão virar um tambor. Que tal criar brinquedos e brincadeiras? Não é tão difícil assim. Uma tarde de calor, por exemplo, é ideal para que vocês façam barcos de papel que podem "navegar" numa bacia com água. Vocês até podem brincar de corrida: cada um assopra o seu barquinho, dando impulso para que ele chegue à outra borda da bacia. Ganha o barco que chegar primeiro. Embora seu filho ainda seja pequeno para dominar algumas atividades artísticas, você já pode começar a ensiná-lo a brincar com sucata: dá para fazer, por exemplo, um chocalho (ou maraca) com um potinho de iogurte vazio. É só colocar alguns grãos de feijão, fechar com um papel grosso, preso com fita colante e pronto, vocês já podem montar uma banda!

Proteção

Uma criança com essa idade não pode ficar sem a supervisão de um adulto em nenhum momento. Móveis perto das janelas merecem atenção redobradíssima. O melhor mesmo é trocá-los de lugar, e se não for possível, tente afastá-los o máximo que conseguir. Redes de proteção ou grades são indispensáveis para quem mora em apartamentos ou mesmo em sobrados e casas térreas que tenham janelas altas. As redes devem ser instaladas em todos os locais perigosos, e não apenas nas janelas: escadas, sacadas, vãos livres. Não tenha pressa de tirar as redes. Quem tem filhos deve conviver com elas por vários anos. A idade varia de criança para criança, e a própria família percebe se pode ou não confiar nela. Melhor não arriscar enquanto você não tiver certeza. E um aviso: se um dia você encontrar seu filho "escalador" na beira da janela, não grite para não assustá-lo (pois isso pode provocar uma reação oposta). Primeiro, tire-o dali para depois conversar seriamente sobre os riscos que ele acabou de correr. Esta é uma fase em que os pais precisam ter muito fôlego para acompanhar as estripulias do filho - e também a hora de começar a impor limites. Ou você tira aquele vaso de cristal da mesa de centro (o que ganhou da bisavó) ou fica de olho no seu filho durante todo o tempo em que ele estiver por ali, repetindo eternamente que ele não pode tocar naquele objeto. Aos poucos, ele vai aprender que aquilo não é brinquedo e não vai mais mexer. Mas saiba que acidentes acontecem.